O seu desejo de morte foi amaldiçoar-me com memórias do meu passado. Deixei de dormir, e dores horriveis agora perfuram o meu corpo. Sinto que acordei de uma trance horrivel, e, apesar de tudo fazer sentido à minha volta, parece que recuperei algo, talvez o meu coração, talvez a minha inocência…
- Que o inferno arda a maldita arqueira – Gritou Arza
E por momentos percebi o que se passou, voltei a negar os
poderes
- Mestre, perdoe-me a insolência, aceite o meu poder de
volta – Pediu, sentindo-se humilhado
Que mais podia eu fazer? Ele mata-me e tortura-me se não
aceitar…
- Eu aceito – Respondi, monotonico
Ele matou a minha irmã, ou será que eu a matei? Contraí esta
doença do pensamento e da duvida, e não consigo despachar estes pensamentos…
Linhas de luz prendem-me os braços.
- Salve-se Guilherme! – Disse uma voz tão pura como o som do
vento a passar por entre folhas de eucalipto
Era Nerina, dona da luz da salvação.
- Larga-me Arza! Larga-me! – Gritei com todas as minhas
forças, tentando soltar-me do meu corpo
Mas quando Arza estava prestes a largar-me, lembrei-me… Não
tenho para onde ir, como ir, onde ficar, como ficar, não tenho nada além disto.
O que farei se me libertar? Nada…
Recolhi-me de novo para o meu corpo de soltei-me de Nerina.
Mas quando lhe lancei o meu fogo da perdição, ela já não estava lá…
E chorei, chorei como se as minhas lágrimas apagassem o fogo infernal que está no lugar da minha alma… Mas isto não é um
conto de fadas de 2º mão, isto é a realidade, e nada mais que o profundo
inferno me espera, e eu sei bem como o inferno é…
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