sábado, 7 de dezembro de 2013

Anti-Cristo - A Profecia - Parte XI


Eu tenho sonhos. Sonhos de um rapaz, perdido na minha escuridão, memórias estilhaçadas de um passado apagado. Ele vivia e sendo imperfeito, ele era feliz, apesar das falhas, dos controlos, do sofrimento, ele era feliz duma maneira tão simples que dava dó de pensar, pois só ele via algo positivo na vida merdosa que ele levava. Então porque me assombras Guilherme? Sou apenas Arza agora.
A policia e o exército já desistiram. Não vale a pena lutarem comigo, e os anjos parecem estar a planear algo, sinto que o céu está nervoso, conflituoso, não a usual calma desconfortante.
Três flechas voam na minha direção. Agarro uma com cada mão. Sobra uma. Essa trespassou o meu coração.
Um flash de luz invade a minha mente…
- Guilherme! Vamos jogar bola! –Disse Rita, em criança toda suja
- Pára! – Disse eu para mim mesmo, queimando a memória, mas ela continuava
Mais flechas voavam, e não consegui apanhar nenhuma…
- Gui! O meu namorado acabou comigo – Disse a Rita na primária, quando lhe partiram o coração pela primeira vez, abracei-a
- És o homem da minha vida irmão – Disse ela, soluçando no seu choro
A raiva estende-se, rebentando todas as flechas e engolindo o cenário de beleza destruida de novo num mar de fogo.
O poder alastra-se e agarro Celestia, a dona do arco que me trespassou, pelo pescoço, queimando-a. Uma luz cegante é projectada da sua boca e dos seus olhos e explode num tom de assobio ensurdedor, deixando apenas uma pena branca, que deixei cair no chão…

Mas eu perdi mais que Celestia. Eu perdi o controlo emocional…

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