A escuridão. Parece tão basta, como se engolisse o desconhecido. Mas a escuridão não escondia nada a Hugo. A sua mente não era mais a sua antiga mente, Hugo tinha crescido tornando-se num verdadeiro Deus.
A história, linhas de tempo, tudo era do seu conhecimento. Hugo esteve lá quando o mundo nasceu, quando inventaram o telefone, as lâmpadas, os carros, a cura da febre espanhola. Os olhos que outrora traziam curiosidade e espírito exibiam um aspecto pesado e cansado, borrado de olheiras.
- Hugo? – Chamou-o uma voz familiar, o olhar pesado fecha-se
e o olhar normal reaparece
- Filipa, diz – Disse Hugo, olhando para Filipa que estava
na carteira ao lado
Hugo sabia exactamente de que se tratava esta conversa. Mas
fingiu-se surpreendido. Se Hugo fosse dar uma volta depois das aulas, Turo iria
tentar emboscá-los, mas Hugo estava disposto a correr o risco
- Claro, vamos lá – Respondeu Hugo, quando Filipa lhe
perguntou se queria ir dar uma volta depois das aulas, como esperado
Depois das aulas.
- Ainda penso naquele dia… Não fazia ideia que fosses tão
corajoso – Afirmou Filipa, lembrando-se do ocorrido
-Nem eu – Sussurrou Hugo
- O quê? – Perguntou Filipa, não ouvindo
- Nada nada… - Hugo sabia que esta era a sua deixa
Filipa começa a flutuar no ar, agarrando-se ao seu pescoço,
respirando ofegante.
Sem comentários:
Enviar um comentário