sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Cavaleiro do Tempo - Parte VI


E assim começou. Todos os dias Hugo ia mais cedo para a cama, apenas para o seu treino de uma hora na China.

Os seus pais estavam despreocupados demais para perceber que o filho deles estava naquele momento do outro lado do mundo, entre velhinhos, treinando a arte dos monges Shaolyn, aprendendo parkour, desafiando as alturas e a gravidade, enquanto saltava de muro em muro, e o seu corpo tornava-se algo mais do que um simples atleta de corrida, tornava-se mais forte, e apenas um mês tinha passado.
As suas visões eram agora uma parte dele, mas naquele dia, estavam estranhas…
- Estás a ouvir o que estou a dizer? – Perguntou Filipa
- Desculpa, não… Estou com uma dor de cabeça horrível – Disse Hugo, mas este sabia que não era uma dor de cabeça, o seu dom estava de alguma forma a alertá-lo, a sua visão bombeava azul e depois passava, repetindo-se várias vezes num minuto
- Estava a dizer que devíamos sair este fim de semana, o novo filme do Rambo vai sair e já é tradição vermos os filmes do Rambo juntos – Disse Filipa, corada
- Claro, vamos lá – Respondeu Hugo
- Estás a sentir-se bem? Estás pálido – Perguntou Filipa, olhando-o nos olhos, os olhares cruzaram-se
A sua visão ficou preenchida de azul: Era uma visão. Nela Hugo beijava Filipa. Hugo nunca tinha pensado em Filipa dessa forma, mas a visão fez-lo perceber que ela sempre esteve ao lado dele desde que se lembra. Os sacerdotes do tempo eram ensinados a prever o tempo apenas pela sabedoria de saber o futuro, não para alterá-lo, mas Hugo, sentindo uma comichão estranha, pareceu não querer resistir em alterar o momento e deixou-se levar pela sabedoria de saber o futuro. Hugo nunca tinha concretizado nenhuma visão, mas ficou a conhecer que a dor de cabeça não aparece quando o tempo não é alterado. Sim, Hugo e Filipa trocaram um suave, medroso e inocente beijo, como se tivessem descobrindo com o tacto os lábios um do outro. Mas a dor de cabeça tinha uma razão: O destino de Filipa estava agora selado com o de Hugo. Foi a partir deste dia que as coisas passaram de pacificas e simples para uma guerra total.
Num edificio em frente à sua escola estava um rapaz de olhos brancos, observando a situação com o seu olhar telescópico.
- O ponto fraco do ser humano é o coração – Disse a sua voz rouca e seca, sorriu maléficamente, puxando o canto esquerdo do lábio para cima em malicia.



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