sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Cavaleiro do Tempo - Parte V


Hugo acorda, mas não está na sua cama. Está numa espécie de templo, mas não tem visões, logo de certeza que não está em perigo, mas mesmo assim, como foi aqui parar?!

- Bom dia jovem – Disse um senhor idoso chinês, aproximando-se dele, este fez uma vénia, Hugo, que estava sentado na cama, levantou-se e retribuiu a vénia
- Bom dia senhor – Retribuiu Hugo
- Onde estou eu? Como vim aqui parar? – Perguntou
- Tenho a certeza que tem muitas perguntas, mas todas têm a mesma resposta, tempo – Disse o senhor
Rapidamente Hugo puxou o braço do senhor, tirando-lhe uma faca da mão
- Eu sabia que o senhor era o escolhido – Riu, charmosamente, o senhor
- O meu nome é Yang Nuy, sou o sacerdote deste templo do tempo – Repetiu a vénia
Hugo sabia que o homem estava apenas a testá-lo, apesar da faca lhe espetar no estômago na visão.
- O meu nome é Hugo e sou um rapaz normal de 16 anos – Disse Hugo
- Não um rapaz normal, mas sim especial, o templo não flui linearmente graças em ti – Hugo sentiu como se a sua própria existência fosse um nó no correr do tempo, sentiu-se culpado, apesar de não ter sido a escolha dele obter este poder
- Você disse templo do tempo? – Perguntou-lhe Hugo
- Sim meu jovem, os nossos sacerdotes treinam a projecção no tempo, tal como tu – Confessou-lhe
- Eu acredito que não tenha treinado para isto, e que sinta até que o seu poder o tenha levado a atrair atenções que não quer para si – Continuou, enquanto Hugo se mostrava embasbacado, sem saber o que dizer
- O que faz de mim diferente dos vossos sacerdotes? – Perguntou-lhe
- Os meus sacerdotes aprendem a prever o futuro apenas para não o alterar – Disse Yang
- Então eu sou culpado de alguma coisa? – Perguntou Hugo, sentindo-se ainda mais culpado
-Não, muito pelo contrário, acredito que o poder lhe tenha salvado a vida – Respondeu o sacerdote
- E assim que entrar no nosso hall para ser recebido pelos outros sacerdotes perceberá que eles são todos velhos – Continuou, expressando um pequeno riso cansado perante a sua observação
- Então aprendi algo perante uma situação de vida ou morte que precisaria da vida inteira para aprender? – Perguntei
- Sim, e isso torna-o perigoso e valioso – Desabafou
- Perigoso? Valioso? Para vocês? – Perguntou Hugo, confuso
- Existe um gang conhecido como “A Ordem”, que é perita em apanhar anomalias genéticas, pessoas com pequenos “super poderes” para que possam modificar os seus seguidores, torná-los mais fortes e daqui só piora, vivem do crime e têm ligações muito fortes às Triads, os grandes donos do crime cá na China – Explicou Yang, espalhando incenso pelo altar
- Estou na China? – Perguntou Hugo alarmado
- Sim, através da reunião das nossas energias teletranportamo-o até cá, não foi fácil, e esperamos que a sua estadia seja breve para impedir preocupação por parte da sua família – Explicou, enquanto pousava o incenso
- O poder desenvolve-se, mas por alguma razão foi impresso em si involuntariamente, você nasceu com destino marcado – Disse Yang, encarando Hugo nos olhos
- Você vai derrotar a Ordem e acabará de vez com os seus crimes em todo o mundo – Disse Yang, como se fosse algo simples
- Tipo? Lembre-se que sou apenas um rapaz de 16 anos – Recordou-lhe, agitando a sua mão em frente à cara, como que um sinal de distração para o sacerdote
- As limitações do seu poder são físicas, não espirituais, pode treinar o seu corpo, pois o seu espírito ajusta-se a si, assim que o seu treino tiver acabado será um super herói – Yang deu ênfase especial à palavra “Super herói” para atrair a atenção de Hugo
- Um super herói? – Perguntou Hugo, aliciado, imaginando-se estilo homem aranha a carregar Joana, a sua amada, nos braços, com olhos sonhadores
- Sim, mas não deixe a sua mente sonhar muito, terá de sofrer muito para lá chegar, terá de ultrapassar todos os seus medos, e irá querer desistir mais vezes do que seguir em frente – Disse Yang, tentando cortar-lhe o entusiasmo, mas sem sucesso
- Claro, claro, eu faço isso – Disse Hugo, com o olhar distante ainda a sonhar acordado



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