sábado, 25 de maio de 2013

O ódio de amar – Parte VI


O primeiro amor tem sempre um problema. Nunca sabemos por tudo no seu lugar, acabamos por dar um balanço muito errado às coisas.

Afastamo-nos dos amigos, discutimos com os pais, falhamos as tarefas, esquecemos aniversários, ignoramos mensagens de amigos chegados, pelo simples facto de estarmos tão agarrados ao amor, damos tudo por ter uma vida em conjunto com alguém que acabamos por esquecer a nossa. É mais ou menos isso que tem acontecido. O Gabriel deixou de conquistar raparigas, sentia-se culpado quando piscava o olho a uma qualquer, a Carlota deixou de entrar em apostas, achava que não era justo ir para a cama com quem não amava, embora se tentassem redimir dos pecados que cometeram a vida inteira não podiam estar mais longe de sequer sonharem como seria descobrirem quem estava do outro lado. Gabriel começou por apagar todos os contactos de “diversão” que tinha no telemóvel, Carlota finalmente ouviu Alexandra e deixou de brincar com os sentimentos das pessoas, Gabriel dedicou-se à pintura, Carlota tornou-se artista de aerossol de rua. Apesar de ser o primeiro amor real de ambos, no seu tempo conseguiram redimir-se e tornarem-se melhores pessoas.
Mas o que aconteceria a este balanço se eles se conhecessem? Valeria a pena estarem a limpar os seus cadastros por alguém que na realidade odiavam? Ou será que amavam em segredo e tinham demasiado orgulho para admitir, por medo do que os outros iam pensar? A química de um romance é apenas conhecida aos que este envolve, para os outros todas as conclusões a tirar não serão mais do que meros palpites e suposições, simples e banais tiros no escuro.

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