Uma necessidade. Talvez mais como uma fome, talvez mais como um vicio, talvez como uma droga, um pouco de refúgio, um pouco mais de uma escapatória…
Gabriel não conseguia resistir em fazer videochamada com a sua
prisioneira zombie. A regra era que o fizessem mascarados, mais por vergonha,
mas dado a crer como um “blind date”. Tolos,
sorridentes, inocentes, trocavam palavras carinhosas, desabafavam sobre as suas
vidas hipócritas, fingindo e acreditando que eram algo diferente um para o
outro, mas, por detrás da máscara dela escondia-se uma pecadora, uma falsa e
arrogante rapariga, por detrás da máscara dele escondia-se a frieza, as
mentiras, os corações partidos ao som do seu riso pobre em remorsos. Carlota e
Gabriel não se podiam encontrar nos corredores da escola sem trocar palavras
azedas, insultos e atirarem ofensas um ao outro como pedras. Viviam uma vida de
ódio de dia e de noite eram um casal perfeito.
Eram demasiado errados, imperfeitos e insensíveis para verem
para além do ódio, para verem que a Carlota continuava a usar o mesmo perfume,
que os sapatos do fato de Gabriel eram reaproveitados do seu guarda-roupa do
dia-a-dia. Viviam felizes com a ilusão de um amor verdadeiro, ilusão que não
queriam desvendar.
Insistiam em esconder os seus defeitos atrás de uma máscara.
O “Casablanca65” e a “zombieprisioneira731” viviam um romance digno de filme. O
Gabriel passava o dia a desenhá-la e a Carlota passava a vida a escrever poemas
sobre o que gostava sobre ele. Eram como um casal de adolescentes fervorosos
namorando em cima de uma bomba relógio.
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