- Vocês estão aqui todos reunidos com um único propósito –
Disse Filipa, perante todos os empregados do “Pegadas Nas Nuvens”
- Isto – Filipa mostrou a ementa a todos os presentes, projetada
na parede, um grande clamor soou como trovões múltiplos
- Silêncio por favor – Pediu Marco, que se encontrava ao
lado de Filipa
- Mas isso é impossível – Disse uma das empregadas
- Sozinhos nunca conseguiremos – Disse outro empregado
- É por isso que estamos aqui juntos – Disse Marco,
concentrando os olhares nele
- Vocês são os melhores cozinheiros do Porto, são feitos
duma fibra imbatível, mas não é isso que está em questão… Se formos
bem-sucedidos rumaremos a conquista de todo o país! Mas precisamos de mais mãos
à obra, contrataremos cozinheiros para o dia do casamento, mas com três meses
de antecedência, para serem bem treinados por mim – Confidenciou Marco,
confiante no fogo que ardia no olhar de cada um dos cozinheiros presentes
- Eu tenho uma prima que cozinha bem – Disse um dos
cozinheiros, levantando-se da cadeira
- A minha mãe cozinha optimamente! – Disse um empregado,
ficaram todos a olhar para ele e ele, embaraçado, sentou-se
- Nomeio neste momento, Marco como Director dos Recursos
Humanos, além de Cozinheiro mestre – Disse Filipa, olhando Marco nos olhos
E assim começou, numa semana conseguiram 10 novos
empregados, inclusive a dita mãe do empregado, para o riso de todos, pois esta
estava sempre em cima do seu filho. Na segunda semana entraram mais 30.
Com algum dinheiro do lucro do restaurante, Marco e Filipa
alugaram a cozinha de um restaurante amigo aos fins de semana, para treino,
Marco era um optimo cozinheiro e tinha sempre pequenas dicas para ajudar, já
Filipa era uma líder nata, controlando todos os aspirantes a cozinheiros com um
olhar de ditador.
Marco e Filipa tornaram um exército de jovens desempregados
em cozinheiros do mais alto nível mesmo a tempo do casamento. Com um batalhão
de 40 empregados da casa e mais 50 a contracto, O “Pegadas Nas Nuvens” estava
pronto para aquele casamento que seria dentro de 4 dias.
Filipa puxou a mão de Marco para um canto da cozinha.
- Tenho um mau pressentimento – Disse Filipa
- Sobre o casamento? – Perguntou Marco
- Sim… Suspeito que alguma coisa vai correr mal – Desabafou
Filipa
- Eu estou contigo, vou assegurar-me que nada de mal
aconteça – Marco segurou o queixo de Filipa e beijou-a, e dos seus lábios
alinhados quase horizontalmente floresceu um belo sorriso
- É melhor retomares o teu trabalho – Sugeriu Filipa,
sorrindo
Depois de um cansativo dia de trabalho, Filipa e Marco rumaram
a casa. Marco dirigia o carro na noite de chuva intensa, o para-brisas não
parava de dançar de um lado para o outro como uma criança hiperactiva. Filipa
expirava, cansada, vendo o seu respirar tornar-se numa pequena nuvem em frente
aos seus lábios, enquanto se aconchegava fortemente ao seu casaco.
- Boa noite meninos – Disse Miguel, o pai de Filipa, que
entretanto vivia com eles agora, tratanto dos miúdos enquanto eles estava fora
a trabalhar, assim que eles entraram em casa
- Mamã! – Disse Marta e Salvador em coro
- Papá! – Salvador chamou Marco que o pegou ao colo e o
mimou com beijos
- Eu cozinho! – Disse Marco, quando Miguel se preparava para
se lançar à cozinha
- Porque é que não cozinham os dois? Eu fico com as crianças
– Disse a Filipa
E então começaram, Marco sabia que era melhor cozinheiro que
o pai de Filipa, mas seguiu os seus ensinamentos, como sinal de respeito, não
podia ser arrogante com ele como era com alguns cozinheiros mais teimosos.
- Tens sido o anjo da guarda da minha filha – Disse Miguel,
enquanto cortava o alho francês para a sopa
- Desculpe? – Perguntou Marco, um pouco incrédulo sobre o
que acabaria de ouvir
- Trouxeste a vida de volta à minha filha, mas é com ela que
queres ficar? Casar e assim? – Perguntou Miguel
- Nunca pensei em casamento, mas a sua filha é sem dúvida
muito especial para mim – Disse Marco enquanto lançava os legumes salteados ao
ar, sem deixar cair uma única ervilha
- O jantar está pronto? – Perguntou Filipa, com um sorriso
matreiro no rosto
- Amor? Estás aí à quanto tempo? – Perguntou Marco
- Cheguei agora, porquê? Vocês estavam a organizar o nosso
casamento sem mim era? – Perguntou Filipa, rindo-se, Marco corou, embaraçado
- Não! Isso é coisa de mulher - Disse Miguel, safando Marco
- Vamos para a mesa que está pronto – Acrescentou Miguel
O jantar estava optimo, e todos os presentes adoraram. Marco
guardou os elogios para o Sr. Miguel, comentando a sua forte habilidade a
preparar sopa. Marco pensou por um segundo numa proposta.
- Pai, gostavas de cozinhar connosco para aquele casamento
que te falamos? – Antecipou-se Filipa
- Adorava, mas que posso eu, velho songamonga, fazer, quando
vocês estão rodeados de tantos cozinheiro talentosos? – Perguntou, comendo para
disfarçar a timidez
- As suas sopas são definitivamente melhores que as minhas –
Confessou Marco
- Mas… Já não sou novo como vocês… Temo que tenha que
rejeitar o vosso pedido – Disse Miguel
- Não sejas assim pai! Não faz parte de ti seres assim! Tu
és um lutador! – Exclamou Filipa em voz alta, motivando Miguel
- Esta bem podem contar comigo! – Exclamou Miguel
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