Acho que nisso sou igual aos outros, um bom duche põe os problemas de lado. Mas foi neste duche que descobri aquilo que prefiria nunca ter descoberto… Desde miudo que tenho uma marca de nascença na forma de um T muito estranho. Até aqui tudo bem, nada de especial, não fosse que desta vez a marca estava um pouco mais inchada…
Nem dei importância, devo ter roçado a meia na marca e
irritou, de alguma forma…
Isto foi o que pensei antes de sair de casa… Foi quando pus
os fones nos ouvidos e percebi, eu posso ir mais longe que estas pessoas, e nem
sequer chegaria a ser um desafio imponente. Estes adultos levam-te todos os
dias para uma rotina, como cães à espera da refeição na tigela, estes jovens
estão preocupados em perder a virgindade e conversar, é nisso que sou melhor!
Que arrogância desperdiçar a vida assim! Seres futeis, que mancham o valor da
própria vida, gastando-a como caviar aos pardais!
- Gui? – Ouço uma voz por entre o ruidoso metal que ruje-me
nos ouvidos
Toda a escuridão do meu coração desaparece, ao tirar dos
fones. Uma sensação repentina e intensa de desconforto faz-me perder o
equilibrio
- És sempre o mesmo – Disse Rita, a minha irmã, que está 2
anos atrás de mim (para informação eu estou no 12º ano)
- Vais sozinho para a escola? Ainda aparece um ladrão e
rouba-te os fones! – Disse esta diabrete, fingindo ser um ladrão, puxando-me os
fones das mãos, por reação a palma da minha mão empurra o seu peito e ela dá
dois passos para trás
- Ei! Cuidado! – Disse Rita, defendendo-se, e revoltada foi
embora sozinha
Embora tenha ficado preocupado que ela se magoa-se, senti um
pequeno conforto quando a empurrei, e tem sido sempre assim. Parece mesmo que
tenho prazer em fazer maldades…
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