Algo sinistro cresce dentro de Hugo. As visões souberam apenas desviá-lo dos golpes de Night, o homem invisível, e ele estava frustrado por não conseguir combater de volta…Mas esse algo cresce mais um pouco.
E mais um pouco, até que uma maré de trovões azuis o projecta no ar contra uma parede, ele perde a consciência.
- Até que enfim que acordou senhor Hugo, estava a começar a
ficar preocupado que o seu poder o tivesse destruído – Ouvia-se de um
altifalante, assim que Hugo abriu os olhos
- Sabe? Você tem uma quantidade enorme de peraflaxinina no
seu organismo, isso é óptimo! – Conta Night, ainda pelo altifalante
- É a hormona que preciso para controlar a minha
invisibilidade, e assim poder voltar ao mundo dos vivos – acrescenta
Mas algo estava profundamente errado. Os olhos de Hugo
estavam azuis, ao contrário do anterior tom de castanho avelã. O seu olhar,
antes vivido e descontraído, possuía agora uma expressão cansada, como o olhar
de um pessoa idosa, que já viveu muito tempo e viveu muitas histórias.
- Deixe-me cortar-lhe as cordas para o transportar para a
sala de operações – Sons metálicos agudos ouviram-se e as cordas de Hugo caíram
no chão
Hugo fechou os olhos e via tudo. Via as crianças da primária
a brincarem no recreio, o seu vizinho a passear o cão no parque, via um casal
chinês a discutir, via um grupo russo a assaltar um banco, e via Night, como
uma sombra pigmentada de azul.
Agarrando o pulso de Night, Hugo atira-o ao chão com uma
projecção de Judo, e sem piedade, espezinha a garganta de Night até este não
respirar. O verdadeiro corpo aparece, pigmentado numa cor mais clara que
branco, que parecia quase brilhar no escuro.
Quando pôs o pé direito fora do calabouço de Night, tanto
Hugo como o resto do mundo sabiam que Hugo não era mais como os rapazes da sua
escola, preocupados com sexo, drogas e musica rock and roll, Hugo era agora
algo diferente, algo que podia talvez ser chamado de um herói negro.
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