quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Cavaleiro do Tempo - Parte XI


Algo sinistro cresce dentro de Hugo. As visões souberam apenas desviá-lo dos golpes de Night, o homem invisível, e ele estava frustrado por não conseguir combater de volta…Mas esse algo cresce mais um pouco.

E mais um pouco, até que uma maré de trovões azuis o projecta no ar contra uma parede, ele perde a consciência.
- Até que enfim que acordou senhor Hugo, estava a começar a ficar preocupado que o seu poder o tivesse destruído – Ouvia-se de um altifalante, assim que Hugo abriu os olhos
- Sabe? Você tem uma quantidade enorme de peraflaxinina no seu organismo, isso é óptimo! – Conta Night, ainda pelo altifalante
- É a hormona que preciso para controlar a minha invisibilidade, e assim poder voltar ao mundo dos vivos – acrescenta
Mas algo estava profundamente errado. Os olhos de Hugo estavam azuis, ao contrário do anterior tom de castanho avelã. O seu olhar, antes vivido e descontraído, possuía agora uma expressão cansada, como o olhar de um pessoa idosa, que já viveu muito tempo e viveu muitas histórias.
- Deixe-me cortar-lhe as cordas para o transportar para a sala de operações – Sons metálicos agudos ouviram-se e as cordas de Hugo caíram no chão
Hugo fechou os olhos e via tudo. Via as crianças da primária a brincarem no recreio, o seu vizinho a passear o cão no parque, via um casal chinês a discutir, via um grupo russo a assaltar um banco, e via Night, como uma sombra pigmentada de azul.
Agarrando o pulso de Night, Hugo atira-o ao chão com uma projecção de Judo, e sem piedade, espezinha a garganta de Night até este não respirar. O verdadeiro corpo aparece, pigmentado numa cor mais clara que branco, que parecia quase brilhar no escuro.

Quando pôs o pé direito fora do calabouço de Night, tanto Hugo como o resto do mundo sabiam que Hugo não era mais como os rapazes da sua escola, preocupados com sexo, drogas e musica rock and roll, Hugo era agora algo diferente, algo que podia talvez ser chamado de um herói negro.

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