sábado, 19 de janeiro de 2013

Pegadas Nas Nuvens - Parte V



- Marco – Sussurrou Filipa, com medo de perturbar aquele silêncio tão quente
- Filipa – Disse Marco, respeitando o silêncio da mesma forma que Filipa

O momento tinha tanto de embaraçoso como de romance, um sentimento que ambos não sentiam à muito tempo. Mas de repente, Marta chorou, e como se fugindo dos olhos verdes de Marco, Filipa levantou-se da mesa e foi ter com Marta.
Marco ficou ali, paralisado, sentindo-se estranho. Amor era algo novo, mas e se tudo o que sentiu fosse apenas uma ilusão? E se o calor que sentiu no seu peito enquanto a sua mão tocava a dela não foi mútuo? Filipa voltou, trazendo Marta para a mesa.
Embora os dois estivessem animados a conversar, Marco e Filipa estavam cabisbaixos, numa espécie de jogo de olhar sem ser olhado. O clima estava tenso, mas Marco tinha de se deitar cedo, pois no dia seguinte teria de resumir a sua busca por trabalho, tal como Filipa.
Era uma estranha noite, noite de verão, quente, mas o som de trovões rasgava o silêncio de grilos entoando os seus cânticos.
As crianças dormiam profundamente, mas Filipa estava com problemas para adormecer, e enquanto olhava as estrelas, cujo brilho era ofuscado pela tempestade, pediu ao céu que lhe trouxesse felicidade, e mais importante, comida para por na mesa.
O que faria Filipa se soubesse que Marco teria passado a noite inteira em branco a pensar nela? E o que faria Marco se soubesse que Filipa conseguira adormecer sem chorar, ao contrário de todas as outras noites?

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