- Marco – Sussurrou Filipa, com medo de perturbar aquele
silêncio tão quente
- Filipa – Disse Marco, respeitando o silêncio da mesma
forma que Filipa
O momento tinha tanto de embaraçoso como de romance, um
sentimento que ambos não sentiam à muito tempo. Mas de repente, Marta chorou, e
como se fugindo dos olhos verdes de Marco, Filipa levantou-se da mesa e foi ter
com Marta.
Marco ficou ali, paralisado, sentindo-se estranho. Amor era
algo novo, mas e se tudo o que sentiu fosse apenas uma ilusão? E se o calor que
sentiu no seu peito enquanto a sua mão tocava a dela não foi mútuo? Filipa
voltou, trazendo Marta para a mesa.
Embora os dois estivessem animados a conversar, Marco e
Filipa estavam cabisbaixos, numa espécie de jogo de olhar sem ser olhado. O
clima estava tenso, mas Marco tinha de se deitar cedo, pois no dia seguinte
teria de resumir a sua busca por trabalho, tal como Filipa.
Era uma estranha noite, noite de verão, quente, mas o som de
trovões rasgava o silêncio de grilos entoando os seus cânticos.
As crianças dormiam profundamente, mas Filipa estava com
problemas para adormecer, e enquanto olhava as estrelas, cujo brilho era
ofuscado pela tempestade, pediu ao céu que lhe trouxesse felicidade, e mais
importante, comida para por na mesa.
O que faria Filipa se soubesse que Marco teria passado a
noite inteira em branco a pensar nela? E o que faria Marco se soubesse que
Filipa conseguira adormecer sem chorar, ao contrário de todas as outras noites?
Sem comentários:
Enviar um comentário