Entrada XI – O que faz de ti um humano
Genebra, 27 de Fevereiro de 1971
Sou um monstro. Sou um monstro por querer devorar o teu
olhar, sou um monstro por querer sentir o teu corpo, como que provocando o meu
instinto animal. Sou presa desses teus olhos castanhos-claros, desse teu cabelo
perfumado, desses teus braços finos e barba no queixo. Mataste em mim uma fome
que desconhecia, fizeste-me sentir tão bem, como se o meu corpo fosse um balão
de ar quente a emergir aos céus, como se as ondas do mar rebentassem no meu
ventre, devoraste-me, ceifaste a minha vida, e trouxeste-me de novo àquele
paraíso de relva. Ateaste um fogo que não existe, queimaste com o olhar,
preencheste o vazio.
Terei sido a única nos seus olhos? Ou terão aqueles olhos
ceifado mais vidas? Sinto-me um animal, sinto-me pesada, será que pertenço
mesmo a este mundo?
Sem comentários:
Enviar um comentário