Entrada XII – Olhar Distante
Genebra, 7 de Março de 1971
Amor. Amor é quando sentimos uma corrente envolta do nosso
corpo, que nos leva para junto de alguém. Uma corrente puxada pelos olhares,
pelos sorrisos, pelos toques, pelas mãos que nos unem como um ser com dois
corações. Isto foi o que Jean disse.
Tenho vivido como um ser humano, finalmente sinto-me bem a
caminhar entre outras pessoas. Mas ainda estou ciente que as suas vidas
dependem da mim. Que se os meus dentes voltassem a rodear os seus pescoços
descobertos pelo tempo de primavera, nada os impediria de sucumbir nos meus
braços.
Homens, escondidos atrás de cortinas, longe, observavam-me
caminhando de mãos dadas com Jean, vestindo um vestido verde esbatido, dizendo
que me haviam encontrado.
Seguem-nos na rua, sinto os seus cheiros a água-de-colónia.
Meu Jean, não quero pôr-te em perigo…
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