Entrada I – Rato de Laboratório
Genebra, 19 de Janeiro de 1971
Aqueles homens estranhos que me observam o tempo todo só
sabem dar ordens, Melissa faz isto, Melissa faz aquilo. Agora pediram-me para
escrever um diário, não sei para quê, mas não tenho feito mais nada sem ser
obedecer-lhes desde que nasci e, sinceramente, não vejo que alternativa poderia
ter a isto.
Disseram-me que pessoas importantes vinham visitar-me.
Espero que tragam carne, estou esfomeada, acabei de levar um banho e não
aguento o perfume artificial que eles me põem no cabelo, faz bolas de sabão e
sinto-me estranha…
Isto até que é giro, poder desabafar com alguém que não seja
aquele psicólogo que se esconde atrás das mesmas cortinas transparentes que
rodeiam o meu quarto, dizem que sou perigosa e têm medo de mim. Sou uma simples
rapariga que quer uma vida normal, não quero homens que cheiram a água de
colónia a espreitar pela cortina transparente todos os dias a toda a hora.
Algo está errado, ou é assim que todas as raparigas de 17
anos vivem?
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