- Olá pequenino, como é que tu te chamas? – Perguntou Marco ao pequeno homem, cabelo arrebitado, andar desajeitado, grandes olhos azuis
- Batata! – Dizia o pequenino, enquanto brincava com a sua
roca, sentou-se perto dos seus brinquedos, Marco seguiu-lhe o exemplo,
sentando-se perto dele
- Mamã! – Disse o pequenino, rindo-se
- Oh meu pequenino, quem é o meu pequenino? Quem é? –
Brincou Filipa, fazendo-lhe cócegas, Marco observava a maneira ternurenta como
ambos brincavam
Por dentro Marco sorria, sorria vendo o que tinha salvado,
que se não fosse a sua intervenção este feliz retrato de família teria sido
destruído.
- Como é que ele se chama? Não é batata pois não? – Brincou
Marco, enquanto Filipa, sentada perto de Marco, abraçava o filho
- Não! Isso é o que ele diz quando quer brincar com alguém,
chama-se Salvador – Respondeu Filipa, Salvador largou-se dos braços da mãe e
gatinhou até a caixa dos seus brinquedos
- E o outro como se chama? – Perguntou Marco, curioso,
enquanto percebia a falta dessa segunda criança, pela sua cabeça passou o pior
- Está a dormir, é a Martinha – Marco respirou de alívio,
Filipa olhou-o, confusa
- Está quase na hora do jantar – Disse Filipa
- Fica aqui com o Salvador, eu faço o jantar – Ordenou
Marco, olhando em volta
- É ali a cozinha – Disse Filipa, rindo-se do jeito tonto de
ser do Marco
Filipa olhava Marco com Salvador ao colo, enquanto este
cozinhava. Marco movia-se convicto das suas capacidades, mexia a frigideira,
mexia o arroz com a colher de pau, observava os bifes grelharem. A Filipa não
era muito boa a cozinhar, sabia fazer o básico, mas Marco tinha já algumas
receitas da sua autoria, era um génio criativo por excelência.
- Cheira mesmo bem – Disse Filipa, seguindo Marco, que
trazia a comida para a mesa
- E sabe ainda melhor! Está delicioso Marco! – Respondeu Filipa,
enquanto arregalava os olhos e sorria
- Se vou estar aqui em casa convosco tenho que ser prestável
– Disse Marco, enquanto jantavam
De repente, um corte de energia deixou tudo às escuras
- Bolas, é o terceiro este mês – Disse Filipa, soprando de
impaciência
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