terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O ódio de amar - Parte I


Bate a bola no chão, uma, duas, três, balança e encesta. Ele pega no telemóvel e abre uma mensagem.

- O quê? Outra vez aquela chata que diz que me ama – Suspira de impaciência
- Quando é que ela vai aprender que eu não a amo? Só curti com ela porque ela é atraente, foi uma cena duma noite – Disse, rindo-se
- Raparigas e os seus sentimentos cor-de-rosa – Riu-se de novo e continuou a praticar os cestos
O seu nome era Gabriel, era o rapaz mais famoso da escola e embora tivesse muitos amigos, Gabriel era egoísta, mas carismático, frio, mas capaz de fingir sentimentos que não tinha. Conseguia sempre o que queria, quer fosse pelo dinheiro dos pais, ou pelo charme dos seus cabelos loiros, do seu olhar azul ou do seu aspeto físico, corpo de nadador profissional.
Tinha ódio de quem o amava, e gostava apenas de quem lhe dizia aquilo que ele queria ouvir. Um monstro no corpo de um simples adolescente académico. Os dedos das mãos não chegariam para contar o número de corações que partiu sem cessar o seu sorriso irónico do rosto.
Mas ele era inocente, pois nunca amou nada além das palavras e do dinheiro, era uma alma pobre… E não havia nada que pudesse ser feito quanto a isso, ou pelo menos era o que os seus amigos de infância, agora esquecidos, pensavam…

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