Entrada V – Livre
Genebra, 12 de Fevereiro de 1971
Olá diário, deves estar a pensar porque te escrevi mais
cedo, bem, se eu te contar decerto não acreditarias.
Tudo começou quando estava a agarrar a cadeira com os
dentes, atirei-a para a cortina transparente e ela criou uns traços mesmo
estranhos, fiquei fascinada, mas intrigada também, e decidi atirar com a cama,
adivinha! A cortina desapareceu! Senti o frio do chão de cimento, eles atiraram
bolinhas de metal para mim, que bateram no meu corpo e saltaram fora, apanhei a
porta aberta e corri, apenas contigo na mão! Não caí nada escuridão! É
inacreditável! Gigantes de ferro povoam a paisagem, estranhas formações de um
cinzento quase preto como a noite, e pessoas movimentam-se em caixas com rodas.
Foi quando o fiz. É incrível! Comecei a correr! O vento na
cara, a paisagem a desenrolar-se como um livro em frente aos meus olhos!
É incrível a sensação de olharmos em volta e não virmos o
limite de para onde podemos ir, faz-me sentir tão leve, tenho vontade de saltar
e correr!
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