Entrada IX – Condição Humana
Genebra, 21 de Fevereiro de 1971
Eu vi o seu olhar. Eu vi como ele me olhou nos olhos e perguntou
“Quem és tu?”. Eu vi como ele temia pela sua vida por ter confiado em mim. Mas
não percebi, ele tinha medo mas ficou. Não se mexeu, continuou a chamar por
mim. Não havia esperança nem misericórdia… Cravei os meus dentes no seu ombro
direito, mas nem isso o impediu. Era estranho, estar perante de alguém que não
tinha medo de mim. E foi quando percebi quem ele era e despertei. Era o Jean, e
na sua mão esquerda carregava erva… Erva imunda com o seu aroma tranquilizante,
o seu odor calmante… E foi aí que acordei, que caí nos meus joelhos, pois o
peso da culpa impediu-me de manter-me de pé… Matei 16 pessoas, como posso
sequer estar viva? Não mereço a vida que tenho… Desabafei com ele… Falei-lhe
que comia pessoas… E ele olhava-me sempre com aquele olhar, como se os seus
olhos fossem bombons de chocolate, e eu sentia-me calma, sentia-me humana.
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