Entrada III – Um sorriso perigoso
Genebra, 2 de Fevereiro de 1971
Rotina, uma palavra nova que aprendi, significa quando
repetimos algo todos os dias, isso torna-se uma rotina. Por isso suponho que escrever
tornou-se parte da minha “rotina”.
Tenho algumas novidades, mais homens importantes vieram hoje
e houve um, um rapaz jovem, apenas um pouco mais alto que eu que veio falar
comigo. Ele perguntou-me como eu me sentia por viver em cativeiro e falou-me do
mundo lá fora, que era bonito, tinha relva (estou curiosa por saber o que isso
é) e grandes árvores, e a partir desse dia, que foi à duas sestas atrás,
comecei a sentir o meu grande quarto a ficar pequeno, mais e mais pequeno… Que
sensação estranha…
Disseram-me também isto: “Excedeste agora a força de um
adulto médio, a força de mordedura é agora extremamente forte e que consigo
mover-me a um máximo de 80 quilómetros horários”. Um dia vou saber o que tudo o
que eles dizem significa! Senão mordo-lhes, adoro morder coisas!
Tenho andado com cada vez mais fome, no outro dia consegui
comer carne do comprimento das minhas pernas! Senti-me tão cheia que acabei por
adormecer ao lado da cama.
Tudo à minha volta é agora tão leve, a cama já a viro com
uma só mão e a cadeira já a pego com os dentes, está toda marcada deles, não
tenho culpa de serem afiados…
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